Se eu fosse...
Pensei nos anos da minha escola primária. Parecem tão distantes que me sinto velha nos meus dezasseis anos. Mas como eram bons esses tempos! O que se fazia, o que se dizia… Era tudo tão mais simples!!! Até o que se escrevia! As composições na escola muitas vezes eram baseadas no título “Se eu fosse…” e depois era só a professora inventar o se eu fosse daquele dia. ‘Se eu fosse um peixe’, ‘Se eu fosse um cão’, ‘Se eu fosse uma flor’, ‘Se eu fosse uma janela’… Ás vezes tenho vontade de escrever dessas composições. Ás vezes penso no Se eu fosse e tenho vontade de ser outra coisa qualquer que não eu… Mas é aí que reside a parte má do se. Se eu fosse… mas não sou. Então mas e se nós fossemos o que realmente somos mas que não somos?
Se eu fosse…eu
Se eu fosse eu, seria mais pessimista do que sou, talvez mais triste… Mas também mais sincera. Se eu fosse eu tinha de aceitar isso e não poderia mentir a mim própria. Teria de viver com todos os meus medos e inseguranças, com tudo aquilo que sinto e não quero sentir. Porque não poderia fingir uma pessoa que não sou… Nem para mim mesma. Se eu fosse eu não poderia simplificar as coisas quando sei como elas são, não poderia tentar que tudo parecesse mais fácil e, então, a vida seria, provavelmente, mais complicada. Mas se eu fosse eu, diria mais vezes aquilo que sinto e tenho medo de dizer, não teria discussões comigo própria e não teria de pensar sobre o que sinto ou sobre o que quero fazer. E isso talvez simplificasse tudo, talvez tornasse a minha vida mais calma. Se eu fosse eu, chorava mais e vivia mais. Então, se eu fosse eu, acho que não seria eu, mas outra pessoa. Se eu fosse eu, isso traria consequências boas e más. Mas de qualquer maneira mudava-me por completo. E então deixaria de ser eu… Se eu fosse eu nem me reconheceria a mim própria. Se eu fosse… mas não sou.
Se eu fosse…eu
Se eu fosse eu, seria mais pessimista do que sou, talvez mais triste… Mas também mais sincera. Se eu fosse eu tinha de aceitar isso e não poderia mentir a mim própria. Teria de viver com todos os meus medos e inseguranças, com tudo aquilo que sinto e não quero sentir. Porque não poderia fingir uma pessoa que não sou… Nem para mim mesma. Se eu fosse eu não poderia simplificar as coisas quando sei como elas são, não poderia tentar que tudo parecesse mais fácil e, então, a vida seria, provavelmente, mais complicada. Mas se eu fosse eu, diria mais vezes aquilo que sinto e tenho medo de dizer, não teria discussões comigo própria e não teria de pensar sobre o que sinto ou sobre o que quero fazer. E isso talvez simplificasse tudo, talvez tornasse a minha vida mais calma. Se eu fosse eu, chorava mais e vivia mais. Então, se eu fosse eu, acho que não seria eu, mas outra pessoa. Se eu fosse eu, isso traria consequências boas e más. Mas de qualquer maneira mudava-me por completo. E então deixaria de ser eu… Se eu fosse eu nem me reconheceria a mim própria. Se eu fosse… mas não sou.

2 Comments:
Relembro por vezes os dias na primária, e sei do que falas!... era tudo tão básico, tão simples, tão ingénuo, tão tudo... Sim, de facto aquelas composições do " Se eu fosse..."... ai que saudades de pegar num lápis e juntar frases, por mais pequenas que fossem, e juntar um ponto final... e de seguida um outro " Se eu fosse...". Eram tempos difíceis para nós, mas vendo agora era tudo tão fácil! E quem me dera que continua-se assim... tudo tão soft! Enfim, "se eu fosse eu", realmente também tinha muito para contar, alterar, sentir... porque talvez não é o nosso próprio eu que uzámos, esse por vezes encontra-se adormecido, de olhos bem fechados, à espera do dia do verdadeiro eu, do seu próprio papel, daquilo para que nasceu e para o que se deve tornar definitivamente... É por isso que "Se eu fosse uma máquina do tempo" voltaria atrás todos os dias à minha infância, pelo menos 10 minutos, e sentir aquela calma, aquela tranquilidade e aquela paz de espírito que se sente quando tinhamos aquela tenra idade... porque quando o futuro é incerto, e o presente feio, lembramo-nos do passado, como um tempo em que eramos felizes.
ah!! este está na antologia! eu li e gostei muito :)
e isso dá que pensar... Se eu fosse eu...
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