Olhou para a porta do McDonald’s. Respirou fundo e empurrou-a aparentando uma confiança que não sentia. Percorreu o restaurante de fast food com passos lentos, enquanto pensava o que estava ali a fazer. Que estupidez! Eu não devia estar aqui! Olhou à volta e reparou nas únicas pessoas que ocupavam a sala: uns míudos deliciados com batatas fritas e hambúrgueres que escorriam ketchup. Dirigiu-se à caixa. E agora o que é que eu vou pedir? Leu os cartazes que anunciavam as promoções e ofertas da semana. Pediu um gelado com chocolate. Voltou-se e foi sentar-se numa mesa que não precisou de escolher. Afinal tinha sido para isso que ali fora. Para se sentar ali. Naquele lugar. Aquele e mais nenhum. Pensou no que a fizera ir ali. Lembrou-se da cena que presenciara há alguns dias, naquele mesmo lugar, entre uma rapariga, que não devia ter mais de sete ou oito anos, e a mãe.
Sai daí!!! Sai!!! Oh mãe sai daí!!!
Mas queres sentar-te tu neste lugar?
Sim!!!
…
Oh mãe… sabes porque é que eu me quis sentar aqui? Porque este é o lugar onde se sentam as princesas. E é o lugar onde se sentam as meninas bonitas. E é o lugar onde se sentam as meninas que querem arranjar namorado.
Ela tinha ficado a pensar naquela certeza da rapariga de que iria arranjar namorado apenas por estar ali sentada. Ingenuidade? Talvez. Mas ao ouvir aquelas palavras, ela própria ficou presa à fantasia de encontrar alguém que gostasse dela simplesmente por se sentar ali por algum tempo. Quem sabe se não se tornaria mesmo uma princesa… Mas que parvoíce!!! Como se eu ainda tivesse idade para acreditar em histórias de princesas… e de príncipes… e de lugares mágicos. A única coisa real aqui é que estou sentada no McDonald’s, sozinha e com um gelado na mão que nem vontade tenho de comer… Mas não se levantou. Não saiu dali. Pensou na vida que tinha. Pensou nela. Pensou no que tinha conseguido, nos projectos que deixou inacabados… e nos que ainda podia acabar. Pensou nas amigas… e nos namorados delas. Entrou num mundo onde só existe o ela, onde entram em confronto todas as variantes de si mesma, onde ela consegue discutir consigo própria e entender-se… ou tentar, pelo menos. Despertou deste ‘transe’ com o barulho que se instalou repentinamente na sala. Viu o restaurante completamente cheio e estranhou não se ter apercebido da entrada de tantas pessoas. Olhou para o relógio. Era hora do almoço. Realmente, começava a sentir fome. Comeu o gelado que, já derretido, ainda segurava na mão. Enquanto sentia o chocolate dar-lhe um ânimo açucarado, observou as pessoas à sua volta. A maioria jovens. Grupos de rapazes e raparigas chegavam, provavelmente da escola, a rir e a conversar sobre os mais variados temas. Na mesa ao lado da dela, quatro raparigas discutiam opiniões sobre o penteado mais recente do rapaz mais giro da escola. À frente, um grupo de rapazes falava sobre motas. Lá fora, um casal de namorados trocava um beijo que lhe pareceu durar uma eternidade. Olhou para todas as pessoas que conseguia ver e reparou como todos estavam ali acompanhados, ocupados com conversas, diversões ou mesmo só com o almoço. Sentiu que todos estavam ali por uma razão normal menos ela. Só ela estava ali, há mais de duas horas, sozinha, à espera. Voltou a sentir fome e pediu um hambúrguer e uma Cola. Esteve ali sentada toda a tarde. Viu os míudos que foram comer gelados depois do almoço, os que foram lanchar hambúrgueres e batatas. Os míudos comem disto a toda a hora! Começou a escurecer. Pensou no que fizera. Perdera um dia inteiro sentada, à espera. Pensou como era tonta por ter feito isso e pensou que tinha de mudar… ou conformar-se por ser assim. Levantou-se e saiu ainda com o copo do gelado, sujo do chocolate, na mão. Viu um rapaz que devia ter aproximadamente a idade dela. Talvez mais um ano ou dois. Achou-o atraente e olhou para ele durante um bocado. Passado uns momentos apercebeu-se que estava a olhar fixamente para o rapaz há mais tempo que o ‘aceitável’. Então ele aproximou-se. Oh meu Deus! Ele reparou que eu estava a olhar para ele! E agora o que é que eu faço? Mas ele sorriu quando falou para ela.
Olá! Já vi que também gostas de gelado de chocolate.
Sai daí!!! Sai!!! Oh mãe sai daí!!!
Mas queres sentar-te tu neste lugar?
Sim!!!
…
Oh mãe… sabes porque é que eu me quis sentar aqui? Porque este é o lugar onde se sentam as princesas. E é o lugar onde se sentam as meninas bonitas. E é o lugar onde se sentam as meninas que querem arranjar namorado.
Ela tinha ficado a pensar naquela certeza da rapariga de que iria arranjar namorado apenas por estar ali sentada. Ingenuidade? Talvez. Mas ao ouvir aquelas palavras, ela própria ficou presa à fantasia de encontrar alguém que gostasse dela simplesmente por se sentar ali por algum tempo. Quem sabe se não se tornaria mesmo uma princesa… Mas que parvoíce!!! Como se eu ainda tivesse idade para acreditar em histórias de princesas… e de príncipes… e de lugares mágicos. A única coisa real aqui é que estou sentada no McDonald’s, sozinha e com um gelado na mão que nem vontade tenho de comer… Mas não se levantou. Não saiu dali. Pensou na vida que tinha. Pensou nela. Pensou no que tinha conseguido, nos projectos que deixou inacabados… e nos que ainda podia acabar. Pensou nas amigas… e nos namorados delas. Entrou num mundo onde só existe o ela, onde entram em confronto todas as variantes de si mesma, onde ela consegue discutir consigo própria e entender-se… ou tentar, pelo menos. Despertou deste ‘transe’ com o barulho que se instalou repentinamente na sala. Viu o restaurante completamente cheio e estranhou não se ter apercebido da entrada de tantas pessoas. Olhou para o relógio. Era hora do almoço. Realmente, começava a sentir fome. Comeu o gelado que, já derretido, ainda segurava na mão. Enquanto sentia o chocolate dar-lhe um ânimo açucarado, observou as pessoas à sua volta. A maioria jovens. Grupos de rapazes e raparigas chegavam, provavelmente da escola, a rir e a conversar sobre os mais variados temas. Na mesa ao lado da dela, quatro raparigas discutiam opiniões sobre o penteado mais recente do rapaz mais giro da escola. À frente, um grupo de rapazes falava sobre motas. Lá fora, um casal de namorados trocava um beijo que lhe pareceu durar uma eternidade. Olhou para todas as pessoas que conseguia ver e reparou como todos estavam ali acompanhados, ocupados com conversas, diversões ou mesmo só com o almoço. Sentiu que todos estavam ali por uma razão normal menos ela. Só ela estava ali, há mais de duas horas, sozinha, à espera. Voltou a sentir fome e pediu um hambúrguer e uma Cola. Esteve ali sentada toda a tarde. Viu os míudos que foram comer gelados depois do almoço, os que foram lanchar hambúrgueres e batatas. Os míudos comem disto a toda a hora! Começou a escurecer. Pensou no que fizera. Perdera um dia inteiro sentada, à espera. Pensou como era tonta por ter feito isso e pensou que tinha de mudar… ou conformar-se por ser assim. Levantou-se e saiu ainda com o copo do gelado, sujo do chocolate, na mão. Viu um rapaz que devia ter aproximadamente a idade dela. Talvez mais um ano ou dois. Achou-o atraente e olhou para ele durante um bocado. Passado uns momentos apercebeu-se que estava a olhar fixamente para o rapaz há mais tempo que o ‘aceitável’. Então ele aproximou-se. Oh meu Deus! Ele reparou que eu estava a olhar para ele! E agora o que é que eu faço? Mas ele sorriu quando falou para ela.
Olá! Já vi que também gostas de gelado de chocolate.

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